
Babaçu poderá curar leucemia
A curiosidade sobre o uso popular do babaçu como analgésico e antiinflamatório colocou uma dupla de pesquisadores da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) diante de uma descoberta que pode revolucionar o tratamento da leucemia. Eles comprovaram que um extrato feito com a casca do fruto da palmeira mata células resistentes a outros quimioterápicos.
Testado em milhares de células leucêmicas, o produto, após uma hora de contato, destruiu 100% das células K562. No caso da linhagem HL60, o desempenho foi bem menor: 14%. O mais surpreendente foi a proporção de 52% alcançada com a K562 Lucena-1, que se mostrou inalterada diante de múltiplas drogas quimioterápicas. O resultado diversificado tornou-se único quando as células foram expostas ao extrato de casca de babaçu e etanol (álcool etílico) por um tempo mais longo, ou seja, quatro horas: todas morreram.
As respostas encontradas surpreenderam os pesquisadores Carla Holandino e Fábio Menezes, que chegaram à descoberta meio por acaso. Eles iniciaram um estudo em 2002 para analisar a eficácia do óleo da semente do babaçu no tratamento de hiperplasia prostática benigna e acabaram mudando o rumo da investigação para avaliar a casca do fruto.
“Há vários relatos do uso popular do babaçu no tratamento de inflamações, leucemia e de cólicas menstruais, entre outros. Isso despertou nossa curiosidade. Queríamos saber a validade científica do uso, já que não existe fitoterápico feito com o produto registrado no Ministério da Saúde”, diz Carla, lembrando que a palmeira, encontrada principalmente no Norte e no Nordeste do País, tem uma grande viabilidade econômica. A espécie utilizada no experimento é a Orbignya speciosa (Martius) Barbosa Rodrigues.
Para garantir que o efeito detectado não esteja associado ao etanol, mas ao babaçu, os pesquisadores repetiram os testes usando apenas o álcool etílico e descobriram que as células leucêmicas permaneceram inalteradas. Além disso, análises realizadas com a levedura Saccharomyces cerevisiae demonstraram que é muito grande a possibilidade de o efeito tóxico do extrato no tumor não se repetir em células humanas saudáveis. “O DNA da levedura é 99% homólogo ao dos linfócitos. Ou seja, o resultado é animador”, avalia a cientista, acrescentando que o próximo passo do estudo é fazer as análises com as células humanas.
Uso O dado, segundo ela, é muito importante, já que a idéia de considerar fitoterápicos inofensivos e, por isso, passíveis de uso indiscriminado, é totalmente errônea. “No tempo da minha avó, se usava muita arnica. Depois descobrimos que, em quantidade, ela é muito tóxica para o sistema nervoso central. Portanto, é preciso cautela”, avisa.
A dupla também descobriu que o efeito antioxidativo do babaçu é superior ao da planta ginko biloba, conhecida como de alto padrão antioxidante. A característica, explica Menezes, é importante, já que reações oxidativas estimulam o crescimento de tumores.(Agência Estado)
Publicado originalmente no site do jornal Tudo Bem em 18/04/2005.
Testado em milhares de células leucêmicas, o produto, após uma hora de contato, destruiu 100% das células K562. No caso da linhagem HL60, o desempenho foi bem menor: 14%. O mais surpreendente foi a proporção de 52% alcançada com a K562 Lucena-1, que se mostrou inalterada diante de múltiplas drogas quimioterápicas. O resultado diversificado tornou-se único quando as células foram expostas ao extrato de casca de babaçu e etanol (álcool etílico) por um tempo mais longo, ou seja, quatro horas: todas morreram.
As respostas encontradas surpreenderam os pesquisadores Carla Holandino e Fábio Menezes, que chegaram à descoberta meio por acaso. Eles iniciaram um estudo em 2002 para analisar a eficácia do óleo da semente do babaçu no tratamento de hiperplasia prostática benigna e acabaram mudando o rumo da investigação para avaliar a casca do fruto.
“Há vários relatos do uso popular do babaçu no tratamento de inflamações, leucemia e de cólicas menstruais, entre outros. Isso despertou nossa curiosidade. Queríamos saber a validade científica do uso, já que não existe fitoterápico feito com o produto registrado no Ministério da Saúde”, diz Carla, lembrando que a palmeira, encontrada principalmente no Norte e no Nordeste do País, tem uma grande viabilidade econômica. A espécie utilizada no experimento é a Orbignya speciosa (Martius) Barbosa Rodrigues.
Para garantir que o efeito detectado não esteja associado ao etanol, mas ao babaçu, os pesquisadores repetiram os testes usando apenas o álcool etílico e descobriram que as células leucêmicas permaneceram inalteradas. Além disso, análises realizadas com a levedura Saccharomyces cerevisiae demonstraram que é muito grande a possibilidade de o efeito tóxico do extrato no tumor não se repetir em células humanas saudáveis. “O DNA da levedura é 99% homólogo ao dos linfócitos. Ou seja, o resultado é animador”, avalia a cientista, acrescentando que o próximo passo do estudo é fazer as análises com as células humanas.
Uso O dado, segundo ela, é muito importante, já que a idéia de considerar fitoterápicos inofensivos e, por isso, passíveis de uso indiscriminado, é totalmente errônea. “No tempo da minha avó, se usava muita arnica. Depois descobrimos que, em quantidade, ela é muito tóxica para o sistema nervoso central. Portanto, é preciso cautela”, avisa.
A dupla também descobriu que o efeito antioxidativo do babaçu é superior ao da planta ginko biloba, conhecida como de alto padrão antioxidante. A característica, explica Menezes, é importante, já que reações oxidativas estimulam o crescimento de tumores.(Agência Estado)
Publicado originalmente no site do jornal Tudo Bem em 18/04/2005.

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